Teoria Musical é importante?

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Nos últimos 10 anos tenho, pessoalmente, feito muitas críticas à concepção de Linguagem Musical que não leve em consideração as diferentes possibilidades de linguagens musicais – reflexão aprofundada no livro Investigações Filosóficas sobre Linguagem, Música e Educação. Este processo de aparente negação tem sido muito importante para me ajudar a refletir sobre música e, consequentemente, tem ocasionado uma interferencia direta em minha prática, ou melhor, em minha vida.

E é neste contexto que tenho encontrado caminhos para realizar novas peguntas. As respostas sempre dependerão das perguntas e, para encontrar novas respostas, é preciso perguntar sempre de um modo diferente.
Por isso, a resposta para a pergunta do Caput é, na verdade, uma oportunidade de se fazer novas peguntas. A teoria musical é importante? Qual teoria musical? Quando? De quem, com quem, para quem? Por quê? Para quê? Como? Quando? Onde?

A partir destas perguntas – e outras tantas possíveis – certamente a resposta para a questão proposta – e para qualquer outra – será muito mais segura e provocadora de desdobramentos filosóficos e de ações concretas muito potentes, pois que carregadas de verdade! Eis outro ponto: não tenhamos medo de falar em “verdade” ou a partir de outras perspectivas metafísicas que por muito tempo e ainda hoje se buscou fugir como tabu. Não há fato mais cabal de que toda metodologia se aporta em um pressuposto fundacional teleológico e, portanto, metafísico. Um “para quê” é sempre movido de um “por quê”. Mas volto ao tema.

Tudo isso pra dizer que a teoria musical tem sua importância e seu lugar e é mais uma “forma de música” (parafraseando o conceito de “forma de vida”, do filósofo Wittgenstein). Generalizando, “teoria” é tudo aquilo que surge da prática e que impressionantemente pode modificá-la, re-significá-la. Mais especificamente, a teoria musical na sua acepção mais corriqueira é aquela que trata dos elementos básicos da música, cunhados numa perspectiva ocidental. E o ocidente, do ponto de vista filosófico, é afeito ao – e também “feito” a partir do logos, da palavra.

O logos é a possibilidade de se submeter o concreto a um conjunto de conceitos e, por sua vez, ter poder sobre este mundo, ou ainda de forjá-lo. É engendrar um tipo de poder sobre a realidade. Não por acaso, uma escritura fundante do ocidente como o livro do Gênesis ressalte, naquele tempo, o poder de Deus que dá nome às coisas e as separa em etapas, como que seguindo uma metodologia. Ali naquela tradição oral, estava um dos pilares que, tendo sido levado aos pincaros pelo cristianismo, e em conjunto com outros dois pilares, a saber, a filosofia grega e o direito romano, faria parte da fundação do conceito de universal, característica bem particular ao ocidente.

Assim, sem mais delongas, no caso da educação musical, não quero dizer que é preciso saber teoria musical para praticar a música, mas que, uma vez que se tenha a prática, a teoria musical possibilita um aprofundamento e redescoberta desta – do ponto de vista do indivíduo; mas além disso, acede a outro nível de partilha comunitaria na linguagem que possibilita (a) o domínio de um léxico que direciona a percepção musical para determinados aspectos “úteis” a determinada finalidade, ao mesmo tempo que permite (b) comunicar ideias musicais a partir de critérios específicos de uma descrição experiencial.

De qualquer modo, gostaria apenas de deixar claro que a teoria musical não é importante per se, ou “porque sim” mas que existem razões pragmáticas que fazem dela um importante instrumento para perceber a cultura e para conhecer o mundo, para muito além da própria música.

Desafio: quais perguntas você faria a partir desta provocação? Deixe um comentário abaixo, se desejar.

Estevão Moreira, Rio de Janeiro-RJ


Clique na imagem do livro para fazer download. 

Livro Estevão Capa

Sobre o autor: Estevão Moreira, professor, compositor e regente. Licenciado em Música pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Educação Musical pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Foi representante estadual da Associação Brasileira de Educação Musical – ABEM – no ano de 2012. Atualmente, é professor de música e gestor cultural no Colégio Santo Inácio (ver entrevista).


Leia também:

A música que respiramos

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Todo mundo sabe música! O Palco Aberto na Escola

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Para além dos muros das salas de aula e dos currículos legais e ocultos, a escola também é feita, sobretudo, de pessoas. O somatório das identidades contribui para a constituição do ambiente cultural da comunidade educativa: professores, estudantes, dirigentes, colaboradores, pais, convidados etc. Esta noção de ambiente cultural – de certo modo uma expressão pleonástica, uma vez que um ambiente já fomenta sua cultura na relação entre condições de possibilidades versus condições favoráveis – é muito importante pois que é a resultante global de um contexto complexo dentro do qual os indivíduos vivem e com o qual dialogam. Qualquer intervenção neste contexto, a depender de sua força, tem um impacto sistêmico nesta comunidade. A música, neste estado de coisas, a pretexto de estética, tem uma função ética. Explico.

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A musica que respiramos

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A música é tão presente em nossas vidas, que nem nos damos conta. Poderíamos fazer um paralelo de raciocínio com a ideia de que o ar (mais especificamente, o oxigênio) é tão importante que não nos damos conta de sua presença; somente na sua ausência é que nos damos conta de quão indispensável ele é. Seguindo este pensamento, poderíamos dizer que a ação da música, qual o oxigênio, em nossas vidas ocorre sem que percebamos.
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O que a filosofia da linguagem pode nos ensinar sobre a ideia de linguagem musical?

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[…] A ideia de “linguagem musical” fundamentada no princípio de que existe um domínio (lugar, conjunto, território, etc.) dos “conceitos corretos” se alinharia com aquela perspectiva validada por uma gramática normativa que dispõe sobre suas regras de funcionamento “da linguagem”. No entanto, esse tipo de gramática normativa de uma “lógica musical” seria norteadora de tais “concepções corretas” na música e, mais ainda, “da Música”. Continuar lendo

Lançamento do Livro: Investigações Filosóficas sobre Linguagem, Música e Educação

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Caro Leitor(a),

É com grande satisfação que informo o lançamento de meu livro: Investigações Filosóficas sobre Linguagem, Música e Educação (O que é isso que chamam de música?).

Está disponível para leitura no Google Books

http://books.google.com.br/books/about?id=DXvXBQAAQBAJ&redir_esc=y

Ou para Download em: https://estevaomoreira.com/o-livro

Livro Estevão Capa

Coral Amigos de Santo Inácio, Rio de Janeiro, 2017


É com muita alegria que informamos a abertura de novas vagas para o Coral Amigos de Santo Inácio dedicado aos pais, alunos, ex-alunos, professores e funcionários do Colégio Santo Inácio e também a vizinhos amigos de Santo Inácio!
No ano de 2017 há uma importante novidade: as inscrições estão abertas também a crianças a partir de 09 anos acompanhadas de seus pais ou responsáveis que sejam integrantes do coro. Desta forma busca-se assim integrar ainda mais a comunidade dos amigos de Santo Inácio e suas famílias.

Este é o formulário de pré-inscrição para as Audições de Classificação Vocal do Coral Amigos de Santo Inácio. Os inscritos  receberão um e-mail, confirmando a sua inscrição. 

https://goo.gl/forms/Ih3P2ECNKvrv09Pi1

Os participantes terão aulas de:

  • Técnica Vocal para Coro

  • Elementos Básicos de Teoria Musical
    Os ensaios acontecem às quintas-feiras, das 18h30 às 20h30 na Igreja Santo Inácio.

As vagas são limitadas e as inscrições se encerram em 08 de março de 2017.

Não há taxa de participação.
Boa Sorte!!!

Estêvão Moreira 

Diretor artístico

CORAL AMIGOS DE SANTO INÁCIO

Congresso da Sofie (Sociedade Brasileira de Filosofia da Educação) 


[Encaminhando msg de e-mail]

Colegas,
Reenvio a chamada de trabalhos para o II Congresso da SOFIE, agora com o link para a página do evento: http://www.fe.unicamp.br/sofie2016/index.html

Peço-lhes dar ampla divulgação.
Esperamos por vocês em Campinas em setembro.
abraços,

Silvio

Prof. Dr. Sílvio Gallo
Departamento de Filosofia e História da Educação
Faculdade de Educação – UNICAMP

DIZEI O QUE VEICULAS E TE DIREI O QUE [NÃO] QUEREIS FOMENTAR


Certo dia estava com meus filhos na rua e eles queriam comprar figurinhas na banca. Lá fomos. Chegando na banca a primeira coisa que percebi foi uma revista de mulheres nuas a cerca de um metro do chão, isto é, NA ALTURA DOS OLHOS DAS CRIANÇAS QUE ALI PASSAVAM PARA IR PARA A ESCOLA. (E não era preciso se demorar pra ver a revista, pois ela estava posicionada em um dos pontos estratégicos da banca, aquele em que vc passa e vê o que estiver exposto, sem saber que já está vendo. O sniper pronto para abater seu público alvo. Coisas que só a propaganda faz).  Continuar lendo

O dever ser da educação musical


Como DEVE ser a educação musical? Esta resposta está na verdade comprometida com a visão de mundo da comunidade onde a música é presente, apreendida e até, por vezes ensinada. Este é o “dever ser” teleológico. Por outro lado, há um outro “deve ser” que é metodológico e que se alinha à finalidade (telos) da educação musical que se pretende seja onde for. Assim sendo, afirmaria que, do ponto de vista metodológico, o ensino de música e a educação musical DEVEM levar em consideração a música que há “dentro” e “entre” as pessoas, partindo do princípio que TODO MUNDO sabe música em alguma medida. O professor, sobretudo o que muito aprende, poderá propiciar condições para experiências, resignificações, construções e novas aprendizagens musicais, assim como, com simplicidade (e meros 3 minutos), Bobby Mcferrin demonstra neste singelo exemplo.

XXII Seminário Latinoamericano de Educação Musical

Nota


O Fórum Latinoamericano de Educação Musical

FLADEM

convida para participar do

XXII Seminário Latinoamericano de Educação Musical

“Pedagogias Musicais abertas na América Latina: mitos, utopias e realidades” conjuntamente com a 22ª Assembleia Anual do FLADEM na cidade de Buenos Aires – Argentina de 24 a 28 de Julho de 2016

PRIMEIRA CONVOCATÓRIA
O Fórum Latino-Americano de Educação Musical FLADEM convoca educadores musicais, pesquisadores, estudantes de todos os níveis e demais profissionais interessados em participar do XXII Seminário Latino-Americano que será realizado conjuntamente com a 22ª Assembleia Anual Ordinária, na cidade de Buenos Aires – Argentina, no período de 24 a 28 de julho de 2016.

TEMÁTICAS:
a. Os modelos abertos de Educação Musical. Atualização da didática, da linguagem musical e dos instrumentos em contextos institucionais e não institucionais. Análise crítica, pesquisas e formulação de propostas transformadoras.
b. Problemas didático-pedagógicos nas instituições de formação musical e docente. A função dos grupos gestores. Ações e resultados.
c. O FLADEM como potencial fomentador de políticas públicas nos países do continente. Sua posição frente às definições curriculares e às possíveis políticas de exclusão ou limitação da Educação Musical como especialidade.
d. A pesquisa em Educação Musical como geradora de mudanças concretas e significativas nos modelos didático-pedagógicos e metodológicos. Análise crítica da atual situação.

OBJETIVOS GERAIS DO XXII SEMINÁRIO:
· Oferecer um espaço de reflexão e análise acerca dos processos de musicalização nos distintos contextos continentais sob o prisma pedagógico e ideológico do FLADEM;
· Promover aos participantes opções de intercâmbio de experiências e análise de situações concretas a partir da realidade latinoamericana e geração de conclusões em função da temática central do Seminário;
· Formular estratégias de trabalho para articulação de uma Rede Profissional solidária e operativa através do continente latinoamericano, vinculada aos educadores musicais, às instituições educativas e às necessidades locais relativas à Educação Musical;
· Promover a difusão de materiais, propostas ideológicas e metodológicas de Educação Musical produzidos na América Latina, de acordo com os princípios da instituição e a temática do XXII Seminário ;
· Sistematizar a ação das sessões nacionais do FLADEM com a finalidade de contribuir para o fortalecimento das mesmas, com vistas a uma ampla e contínua projeção nas políticas públicas dos distintos países;
· Gerar aportes pedagógico-musicais a partir da investigação, experimentação e reflexão sobre os processos e modalidades de formação musical no âmbito institucional e não institucional.

Agradecemos a atenção para esta informação.

Consultas:
seminario-informes@fladem.info

Baixar arquivos:
http://www.fladem.info

Lima, Peru -Secretaria Geral
FLADEM INTERNACIONAL
flademsec@hotmail.com