Stephen Hawking e o balde de gelo na cabeça de Richard Dawkins


Stephen Hawking é um gênio. Segundo matéria d’O Globo (de 24/09/2014), Hawking causou euforia ao questionar a ideia de que Deus criou o universo. Ainda continuo achando Hawking um gênio, mas vejo aqui um deslize do astrofísico: “incorreu” em metafísica. Seja a abordagem de teístas ou de ateístas, Deus é questão metafísica por excelência. Além de amor, acho que precisamos de mais metafísica! Os degladiadores ateístas não percebem, na poética da poiésis (pleunasmo?) a explicação “científica” da época. Quando, no gênesis, se lê que “Deus fez [céu-terra-luz-frutos-animais-etc] e viu que era bom”, está ali uma tentativa de se explicar o universo, com os recursos que se dispunha na época. Os filósofos, desde os pré-socráticos, também tinham histórias inverossímeis sobre as criações das coisas. Ademais, até posso compreender que Hawking esteja tentando alfinetar setores mais radicais, que não se prestam a um diálogo entre fé e religião. Por outro lado, segundo O Globo, remete diretamente ao cristianismo, coincidentemente, o mesmo ingrediente fundamental, tanto quanto a cultura grega e o expansionismo/imperialismo romano, para a constituição não somente da filosofia, mas do pensamento do ocidente: os tripés da noção de “universal”.

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Ser ou não ser: é uma questão? Ontologias Idiossincráticas da Música


Na educação musical, o que o professor conceber como música será determinante sobre sua atividade de ensinar. O quid1 da música assumido pelo professor regerá os conteúdos, a didática, os valores e seus desdobramentos. Assim sendo, pode-se pensar que, para se desenvolver uma atividade pedagógica em música, é subjacente ao professor um saber relacionado com uma concepção, que passa pela questão sobre “o que é música”. Portanto, nas situações onde alguém aprende e alguém ensina, aquilo que “é” música para o professor será o paradigma de seu pensamento em ação2. Da parte do professor, os pressupostos e valores atribuídos à música seriam determinantes sobre o processo de ensino como um todo mais complexo, na medida em que envolve diversas perspectivas da música: neste processo de ensino, a figura do aluno é a primeira que nos vem à tona.

As considerações sobre as concepções de música na educação musical possibilitam o paulatino aprofundamento de uma análise mais detalhada deste cenário “professor-aluno”, permitindo a problematização – para além de uma simples constatação – de outro fato importante a ser considerado no âmbito da significação e do processo de ensino-aprendizagem em música: a concepção do professor interage com a do aluno. Isto é, aquilo que o aluno conceber como música – suas vivências, valores, expectativas etc. – também terá um papel importante no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que seu interesse e envolvimento refletem profundamente na atuação do professor – seja no viés psicológico, metodológico, didático, etc.

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