Universal ao multicultural: um parágrafo que diz muito.


“[…] nunca é demais insistir, para começar, no caráter de necessidade lógica, não empírica, não constatada mas decretada, em suma, na dissociação deliberada em relação a todo e qualquer dado, nessa súbita guinada de regime do relativo para o absoluto, mediante a qual define-se instantaneamente, na filosofia clássica européia, o juízo de universalidade. Pois quando, no diálogo entre culturas, debatemos acerca do universal nos dias de hoje, não podemos mais fingir esquecer de que lugar preciso, epistemológica e culturalmente circunscrito, importamos sua exigência: da “evidência” da ciência, seguramente, para a qual apenas é objetivo o conhecimento regido por conceitos do entendimento (deduzidos transcendentalmente: as “categorias”), e que, portanto, é sempre válido necessariamente e para todos, não podendo variar de um caso para o outro, sendo depurado de toda subjetividade e, como tal, universalmente válido.”

JULLIEN, François. O diálogo entre as culturas: do universal ao multiculturalismo. RJ: Zahar, 2009, p.21

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