Sobre Estevão Moreira

Professor de música, pesquisador, compositor e regente.

Teoria Musical é importante?

Destacado


Nos últimos 10 anos tenho, pessoalmente, feito muitas críticas à concepção de Linguagem Musical que não leve em consideração as diferentes possibilidades de linguagens musicais – reflexão aprofundada no livro Investigações Filosóficas sobre Linguagem, Música e Educação. Este processo de aparente negação tem sido muito importante para me ajudar a refletir sobre música e, consequentemente, tem ocasionado uma interferencia direta em minha prática, ou melhor, em minha vida.

E é neste contexto que tenho encontrado caminhos para realizar novas peguntas. As respostas sempre dependerão das perguntas e, para encontrar novas respostas, é preciso perguntar sempre de um modo diferente.
Por isso, a resposta para a pergunta do Caput é, na verdade, uma oportunidade de se fazer novas peguntas. A teoria musical é importante? Qual teoria musical? Quando? De quem, com quem, para quem? Por quê? Para quê? Como? Quando? Onde?

A partir destas perguntas – e outras tantas possíveis – certamente a resposta para a questão proposta – e para qualquer outra – será muito mais segura e provocadora de desdobramentos filosóficos e de ações concretas muito potentes, pois que carregadas de verdade! Eis outro ponto: não tenhamos medo de falar em “verdade” ou a partir de outras perspectivas metafísicas que por muito tempo e ainda hoje se buscou fugir como tabu. Não há fato mais cabal de que toda metodologia se aporta em um pressuposto fundacional teleológico e, portanto, metafísico. Um “para quê” é sempre movido de um “por quê”. Mas volto ao tema.

Tudo isso pra dizer que a teoria musical tem sua importância e seu lugar e é mais uma “forma de música” (parafraseando o conceito de “forma de vida”, do filósofo Wittgenstein). Generalizando, “teoria” é tudo aquilo que surge da prática e que impressionantemente pode modificá-la, re-significá-la. Mais especificamente, a teoria musical na sua acepção mais corriqueira é aquela que trata dos elementos básicos da música, cunhados numa perspectiva ocidental. E o ocidente, do ponto de vista filosófico, é afeito ao – e também “feito” a partir do logos, da palavra.

O logos é a possibilidade de se submeter o concreto a um conjunto de conceitos e, por sua vez, ter poder sobre este mundo, ou ainda de forjá-lo. É engendrar um tipo de poder sobre a realidade. Não por acaso, uma escritura fundante do ocidente como o livro do Gênesis ressalte, naquele tempo, o poder de Deus que dá nome às coisas e as separa em etapas, como que seguindo uma metodologia. Ali naquela tradição oral, estava um dos pilares que, tendo sido levado aos pincaros pelo cristianismo, e em conjunto com outros dois pilares, a saber, a filosofia grega e o direito romano, faria parte da fundação do conceito de universal, característica bem particular ao ocidente.

Assim, sem mais delongas, no caso da educação musical, não quero dizer que é preciso saber teoria musical para praticar a música, mas que, uma vez que se tenha a prática, a teoria musical possibilita um aprofundamento e redescoberta desta – do ponto de vista do indivíduo; mas além disso, acede a outro nível de partilha comunitaria na linguagem que possibilita (a) o domínio de um léxico que direciona a percepção musical para determinados aspectos “úteis” a determinada finalidade, ao mesmo tempo que permite (b) comunicar ideias musicais a partir de critérios específicos de uma descrição experiencial.

De qualquer modo, gostaria apenas de deixar claro que a teoria musical não é importante per se, ou “porque sim” mas que existem razões pragmáticas que fazem dela um importante instrumento para perceber a cultura e para conhecer o mundo, para muito além da própria música.

Desafio: quais perguntas você faria a partir desta provocação? Deixe um comentário abaixo, se desejar.

Estevão Moreira, Rio de Janeiro-RJ


Clique na imagem do livro para fazer download. 

Livro Estevão Capa

Sobre o autor: Estevão Moreira, professor, compositor e regente. Licenciado em Música pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Educação Musical pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Foi representante estadual da Associação Brasileira de Educação Musical – ABEM – no ano de 2012. Atualmente, é professor de música e gestor cultural no Colégio Santo Inácio (ver entrevista).


Leia também:

A música que respiramos

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Coral Amigos de Santo Inácio, Rio de Janeiro, 2017


É com muita alegria que informamos a abertura de novas vagas para o Coral Amigos de Santo Inácio dedicado aos pais, alunos, ex-alunos, professores e funcionários do Colégio Santo Inácio e também a vizinhos amigos de Santo Inácio!
No ano de 2017 há uma importante novidade: as inscrições estão abertas também a crianças a partir de 09 anos acompanhadas de seus pais ou responsáveis que sejam integrantes do coro. Desta forma busca-se assim integrar ainda mais a comunidade dos amigos de Santo Inácio e suas famílias.

Este é o formulário de pré-inscrição para as Audições de Classificação Vocal do Coral Amigos de Santo Inácio. Os inscritos  receberão um e-mail, confirmando a sua inscrição. 

https://goo.gl/forms/Ih3P2ECNKvrv09Pi1

Os participantes terão aulas de:

  • Técnica Vocal para Coro

  • Elementos Básicos de Teoria Musical
    Os ensaios acontecem às quintas-feiras, das 18h30 às 20h30 na Igreja Santo Inácio.

As vagas são limitadas e as inscrições se encerram em 08 de março de 2017.

Não há taxa de participação.
Boa Sorte!!!

Estêvão Moreira 

Diretor artístico

CORAL AMIGOS DE SANTO INÁCIO

Todo mundo sabe música! O Palco Aberto na Escola

Destacado


Para além dos muros das salas de aula e dos currículos legais e ocultos, a escola também é feita, sobretudo, de pessoas. O somatório das identidades contribui para a constituição do ambiente cultural da comunidade educativa: professores, estudantes, dirigentes, colaboradores, pais, convidados etc. Esta noção de ambiente cultural – de certo modo uma expressão pleonástica, uma vez que um ambiente já fomenta sua cultura na relação entre condições de possibilidades versus condições favoráveis – é muito importante pois que é a resultante global de um contexto complexo dentro do qual os indivíduos vivem e com o qual dialogam. Qualquer intervenção neste contexto, a depender de sua força, tem um impacto sistêmico nesta comunidade. A música, neste estado de coisas, a pretexto de estética, tem uma função ética. Explico.

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Congresso da Sofie (Sociedade Brasileira de Filosofia da Educação) 


[Encaminhando msg de e-mail]

Colegas,
Reenvio a chamada de trabalhos para o II Congresso da SOFIE, agora com o link para a página do evento: http://www.fe.unicamp.br/sofie2016/index.html

Peço-lhes dar ampla divulgação.
Esperamos por vocês em Campinas em setembro.
abraços,

Silvio

Prof. Dr. Sílvio Gallo
Departamento de Filosofia e História da Educação
Faculdade de Educação – UNICAMP

DIZEI O QUE VEICULAS E TE DIREI O QUE [NÃO] QUEREIS FOMENTAR


Certo dia estava com meus filhos na rua e eles queriam comprar figurinhas na banca. Lá fomos. Chegando na banca a primeira coisa que percebi foi uma revista de mulheres nuas a cerca de um metro do chão, isto é, NA ALTURA DOS OLHOS DAS CRIANÇAS QUE ALI PASSAVAM PARA IR PARA A ESCOLA. (E não era preciso se demorar pra ver a revista, pois ela estava posicionada em um dos pontos estratégicos da banca, aquele em que vc passa e vê o que estiver exposto, sem saber que já está vendo. O sniper pronto para abater seu público alvo. Coisas que só a propaganda faz).  Continuar lendo

O dever ser da educação musical


Como DEVE ser a educação musical? Esta resposta está na verdade comprometida com a visão de mundo da comunidade onde a música é presente, apreendida e até, por vezes ensinada. Este é o “dever ser” teleológico. Por outro lado, há um outro “deve ser” que é metodológico e que se alinha à finalidade (telos) da educação musical que se pretende seja onde for. Assim sendo, afirmaria que, do ponto de vista metodológico, o ensino de música e a educação musical DEVEM levar em consideração a música que há “dentro” e “entre” as pessoas, partindo do princípio que TODO MUNDO sabe música em alguma medida. O professor, sobretudo o que muito aprende, poderá propiciar condições para experiências, resignificações, construções e novas aprendizagens musicais, assim como, com simplicidade (e meros 3 minutos), Bobby Mcferrin demonstra neste singelo exemplo.

XXII Seminário Latinoamericano de Educação Musical

Nota


O Fórum Latinoamericano de Educação Musical

FLADEM

convida para participar do

XXII Seminário Latinoamericano de Educação Musical

“Pedagogias Musicais abertas na América Latina: mitos, utopias e realidades” conjuntamente com a 22ª Assembleia Anual do FLADEM na cidade de Buenos Aires – Argentina de 24 a 28 de Julho de 2016

PRIMEIRA CONVOCATÓRIA
O Fórum Latino-Americano de Educação Musical FLADEM convoca educadores musicais, pesquisadores, estudantes de todos os níveis e demais profissionais interessados em participar do XXII Seminário Latino-Americano que será realizado conjuntamente com a 22ª Assembleia Anual Ordinária, na cidade de Buenos Aires – Argentina, no período de 24 a 28 de julho de 2016.

TEMÁTICAS:
a. Os modelos abertos de Educação Musical. Atualização da didática, da linguagem musical e dos instrumentos em contextos institucionais e não institucionais. Análise crítica, pesquisas e formulação de propostas transformadoras.
b. Problemas didático-pedagógicos nas instituições de formação musical e docente. A função dos grupos gestores. Ações e resultados.
c. O FLADEM como potencial fomentador de políticas públicas nos países do continente. Sua posição frente às definições curriculares e às possíveis políticas de exclusão ou limitação da Educação Musical como especialidade.
d. A pesquisa em Educação Musical como geradora de mudanças concretas e significativas nos modelos didático-pedagógicos e metodológicos. Análise crítica da atual situação.

OBJETIVOS GERAIS DO XXII SEMINÁRIO:
· Oferecer um espaço de reflexão e análise acerca dos processos de musicalização nos distintos contextos continentais sob o prisma pedagógico e ideológico do FLADEM;
· Promover aos participantes opções de intercâmbio de experiências e análise de situações concretas a partir da realidade latinoamericana e geração de conclusões em função da temática central do Seminário;
· Formular estratégias de trabalho para articulação de uma Rede Profissional solidária e operativa através do continente latinoamericano, vinculada aos educadores musicais, às instituições educativas e às necessidades locais relativas à Educação Musical;
· Promover a difusão de materiais, propostas ideológicas e metodológicas de Educação Musical produzidos na América Latina, de acordo com os princípios da instituição e a temática do XXII Seminário ;
· Sistematizar a ação das sessões nacionais do FLADEM com a finalidade de contribuir para o fortalecimento das mesmas, com vistas a uma ampla e contínua projeção nas políticas públicas dos distintos países;
· Gerar aportes pedagógico-musicais a partir da investigação, experimentação e reflexão sobre os processos e modalidades de formação musical no âmbito institucional e não institucional.

Agradecemos a atenção para esta informação.

Consultas:
seminario-informes@fladem.info

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Lima, Peru -Secretaria Geral
FLADEM INTERNACIONAL
flademsec@hotmail.com