Certo ou errado? Sobre o livro que não considera errado falar ‘os livro’


Falo aqui sobre “o livro do momento”. Tamanho é o frisson que não consegui encontrar o título do livro na internet. De qualquer forma, é aquele que apareceu até, entre outros, no programa “Fantástico” — da Rede Globo — e que foi taxado, grosso modo, com o slogan “esse é o livro que não considera errado falar ‘os livro’ “. Tendo a crer que este assunto esteja sendo menos refletido do que falado. Normal, afinal, slogan é para essas coisas. Então, para nós que somos professores, acho fundamental e uma boa oportunidade de pensar a respeito. Penso que seria interessante se examinássemos o próprio livro para ver, de fato, o que ele considera “certo” ou “errado”. Aqui você poderá consultar o capítulo original.

Selecionei os seguintes trechos:

“As classes sociais menos escolarizadas usam uma variante da língua diferente da usada pelas classes sociais que têm mais escolarização. Por uma questão de prestígio — vale lembrar que a língua é um instrumento de poder —, essa segunda variante é chamada de variedade culta ou  norma culta, enquanto a primeira é denominada variedade popular ou norma popular”. (p.12)

Neste primeiro trecho, a autora fala sobre poder e este trecho revela um pouco de sua orientação para linhas de análise de discurso que tratam deste tema — poder — e que me faz lembrar dos franceses Foucault e Bordieu; porém o que me importa aqui, no entanto, é o fato de que a autora faz uma diferenciação entre a linguagem “culta” e a “coloquial” e que nos meus idos tempos de estudante do fundamental eu já estudava. Portanto, até aqui, não há novidade alguma.

Este outro trecho acho mais elucidador para a questão:

“[…] Contudo, é importante saber o seguinte: as duas variantes são eficientes como meios de comunicação. A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros. Esse preconceito não é de razão linguística, mas social. Por isso, um falante deve dominar as diversas variantes porque cada uma tem seu lugar na comunicação cotidiana” (p.12).

O principal aspecto deste segundo parágrafo é o fato de que a autora não determina quem está “certo” ou quem está “errado”, mas explica que um falante deve dominar as diversas variantes, ou seja, dominar as regras dos diferentes contextos que são, por sua vez, determinadas pelas práticas sociais (práxis). Este parágrafo já me é mais familiar e remete à filosofia da linguagem, mais especificamente à pragmática, a saber, a área que estuda a linguagem cotidiana. Na linguagem cotidiana, misturam-se diversos jogos de linguagem (cf. Wittgenstein, Investigações Filosóficas) onde o certo e o errado são refeitos a cada situação, cada contexto, falante, ocasião. Não quero dizer que o “certo” e o “errado”, nestes casos, sejam “relativos” — donde se instauraria um relativismo inócuo  — mas sim, “contextuais”.

Voltemos ao livro.

Apesar desta perspectiva, que não é nova e que remonta aos anos 50, “o grande problema” visto pelos plantonistas (“platonistas”) da linguagem normatizada está precisamente neste parágrafo:

“Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.”Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião” (p.15).

Este parágrafo arrepiou os cabelos de muitos editores de noticiários. Porém, esses mesmos noticiários deram pouca ênfase a seguinte frase da autora: “a língua escrita não é o simples registro da fala. Falar é diferente de escrever” (p.11)Na escola aprendemos a escrever e não a falar. Claro! Pois para aprender a falar — as diversas linguagens cotidianas — não precisamos ir à escola, aprendemos sozinhos, imersos em uma prática, ou em uma forma de vida, para relembrar novamente Wittgenstein. Na escola é fundamental que se aprenda a escrever, mas também em quê reside a diferença entre falar e escrever, suas implicações e, principalmente, como isto deve se dar na prática: de uma postura de austeridade lingüística, para uma alteridade linguageira.

Recorramos a exemplos: haveria alguma objeção ao fato de que, no Brasil, alguém que fale “os livro” será perfeitamente entendido? Sem entrar nas questões políticas, quem se comunicou melhor com a massa brasileira? FHC ou Lula? Deste último, lembro-me que certa vez o jornal veiculou o neologismo de Lula “Sífu” — neologismo para o dicionário, mas verbete corrente na boca do povo — com certo repúdio. Com certeza, “não pega bem para o presidente falar estas coisas”. Questões de ética e etiqueta. Porém, com relação à comunicação, qual brasileiro não entendeu? Só os estrangeiros ficaram de fora dessa. (Não se trata de justificativa, mas tautologia). O que quero dizer é que, para o falar, de fato não é necessário que se estabeleçam regras, pois, citando o paradoxo de Wittgenstein, como poderiam ser estabelecidas regras para a linguagem, se esta já está em conformidade com uma regra? (cf. Wittgenstein, IF, § 201).

Voltando ao “famigerado” livro, a autora quer dizer, em suma, que mesmo alguém que fale “os livro” deve saber, por exemplo, que uma prova de vestibular se estabelece a partir dos critérios da “norma culta”. Ademais, alguém que use uma linguagem inadequada para um contexto poderá sim sofrer de preconceito linguístico (expressão que não é nova e pode ser mais conhecida com uma simples busca no google). Tens dúvida? Seja de alguém que, a partir dos critérios da norma culta, fale “errado” em local onde se fala tudo “certo”, ou ao contrário, alguém que fale tudo “certo” em local onde se fala tudo “errado”. Mas a tal “norma culta” — da escrita — está lá no livro, explicadinha, tim-tim-por-tim-tim. Os livro” foi (foram?) na verdade só um “plusamais” (plus-a-mais) para falar sobre a fala e  sobre coisa mais profunda — e “discarada” — ainda, que é o preconceito linguístico.

Pensemos agora em um exemplo ao avesso de alguém que “domine” a norma culta: um professor de música que vá fazer uma pesquisa de campo sobre os pífanos de Bendegó, Canudos-BA, deverá imergir nesta comunidade. Para conseguir compreender os nativos, precisará conhecer os mais variados jogos de linguagem locais — dominar, aos poucos, as regras — através da observação, uma vez que as mesmas não constam nos livros, mas na prática da linguagem daquele povo, construída no decorrer do tempo. Assim poderá também se comunicar melhor, para atingir completa imersão. Por outro lado, para alguém que vá dar aula de música na periferia de São Paulo, “é de bom tom” que conheça a linguagem “dos mano” ou “dos truta“, pois do contrário terá menores chances de compreender o contexto no qual se insere o aluno. Terá assim dificuldades em “ler o mundo [local]” (re-parafraseando Freire: neste caso não é o aluno “lendo o mundo”, mas o professor “lendo o mundo do aluno”), pelo fato de que são outras as regras linguageiras  instauradas pela prática e não pela teoria.

Se este professor compreender e, ainda mais, se for capaz de “falar a mesma língua”, partilhando do mesmo jogo de linguagem do aluno, terá uma outra possibilidade de interagir e até, talvez, ter acolhida. Se conseguir compreender os jogos de linguagem, falar e ser acolhido, abrem-se duas outras possibilidades:

— Este professor poderá aprender com os alunos muitas coisas que, certamente, jamais serão contempladas pelos livros.

— Este professor poderá, também, ensinar.

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39 respostas em “Certo ou errado? Sobre o livro que não considera errado falar ‘os livro’

  1. Muito bom, Estevam, gostei do seu texto, principalmente porque ele chama a atenção para o fato de que está havendo mais falas do que reflexões, em torno do livro da “discórdia”. Muitos se resumiram ao senso comum para fazer suas avaliações, inclusive o senador Cristovam Buarque. Lamentável!!!!

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  2. Estevão!

    Excelente texto!

    O mais interessante é mostrar como as pessoas falam do que desconhecem.

    Muito bom saber que o livro simplesmente apresenta por escrito o que já era ensinado pelos professores desde a minha alfabetização, só que informalmente.

    Parabéns pelo Blog!

    Abraço!

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  3. Grande Professor Estevão!

    Sempre nos brindando com uma boa reflexão! Concordo em gênero, número e grau.
    A capacidade que os noticiários tem de reduzir as questões é incrível. Fazem sempre um recorte adequado as suas opiniões.

    Gostei dessa do professor de música em Canudos!

    Grande abraço!

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  4. Muito bom, Estevão. O interessante é que ninguém deu a oportunidade de a autora do livro expor suas razões. Simplesmente consideraram um trecho do livro de forma descontextualizada e partiram para as críticas. Que bom que você resolveu escrever sobre o assunto. Eu, mesma, estava pouco informada a respeito.
    A fala é também um instrumento de socialização. Se alguém utilizar um vocabulário diferente do adotado pelo grupo, pode sofrer preconceito, mesmo quando está de acordo com a norma culta. Se um “nerd”, por exemplo, usar seu vocabulário sofisticado e sua linguagem toda certinha pode ser tão ridicularizado quanto nós caipiras o somos pelo pessoal da “capitar”. Negar que essa adaptação existe é bobagem. Acho que a grande confusão que fizeram foi entender que ela se referia à linguagem escrita.
    Beijo grande pra família linda! E parabéns pelo texto!

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    • Olá Mônica!

      Muito bom ter o seu parecer de psicóloga!
      O preconceito é uma via de mão dupla!
      Alguém que fale, gramaticalmente tudo correto tem até mais chance de ser rechaçado!
      Paradoxal, não?

      Obrigado pela visita!

      Bjs de nossa família!
      Estevão

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  5. Oi Estevão, parabéns pelo texto e pelo blog, além de bem escrito (na forma culta e também na popular, rs) está com um visual bem legal.

    Realmente, até eu me surpreendi ontem vendo o pessoal que defende o livro na TV, no final das contas não era nada demais. Eu mesmo acabei falando mais do que devia do MEC sem ter lido o material didático. Muito esclarecedor seu post.

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    • Caríssimo amigo!

      Realmente, como vc falou, não é nada demais!
      Portanto, das duas uma:
      — ou alguns jornalistas/articulistas/editores querem mesmo é confundir;
      — ou, se forem honestos e sinceros, erraram feio.
      Na segunda opção, deveriam se retratar.

      Obrigado pela visita!

      Abs
      Estevão

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  6. Na passagem do livro: “O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”
    Aqui há uma imposição. Ninguém “tem de ser capaz” de nada, e neste instante há, no mínimo, um valor imposto como “certo”. Inicialmente, protesto contra esse valor moral, pois acredito que ninguém tem a obrigação de ser capaz de nada.
    Tudo depende das intenções do sujeito falante e do valor dado por ele às consequências desse conhecimento/desconhecimento.
    Ele pode simplesmente não dar valor ao aprendizado de algo sobre uma “ocasião” que ele acredita que nunca ocorrerá.
    Em outras palavras, o processo de educação mantém a imposição de valores, e acredito que a discussão não está restrita a preconceito ou comunicabilidade, ela está fortemente associada ao totalitarismo na escolha dos tópicos para o sistema educacional.
    Assim como questionam “Por que a obrigação da norma culta?”, eu questiono “Por que a obrigação de QUALQUER norma ou conjunto de normas?”.

    “como poderiam ser estabelecidas regras para a linguagem, se esta já está em conformidade com uma regra?”
    Esse paradoxo é falso. Enfatiza “regras VS liberdade” mas aparentemente mistura ontologia com epistemologia. As “regras” culturais obviamente não são ontológicas, e, em minha opinião, nem deveriam se chamar “regras”.
    A linguagem está construída em cada indivíduo, e não há nenhuma necessidade de que 2 indivíduos diferentes tenham absolutamente a mesma linguagem. Não são privadas, são apenas subjetivas. O significado de cada palavra é construído pelo indivíduo a partir do seu uso em um contexto social, e não há dois indivíduos com exatamente a mesma história, por esse motivo não vejo porque acreditar que existam duas linguagens idênticas.
    Assim sendo, cada indivíduo altera sua própria linguagem (i.e., o conjunto de “regras”) de acordo com o contexto em que se apresenta. Sendo claro, o mesmo sujeito possui tanto as regras como a liberdade de mudá-las, e nitidamente isso não é um paradoxo, apenas porque a tais regras são uma construção. O sujeito possui a liberdade de mudá-las.
    Lembrando Wittgenstein: a defesa da linguagem pública se refere ao fato de toda a informação relevante para o estabelecimento da linguagem estar publicamente disponível. Quando se nega a linguagem privada, tem-se de tomar cuidado para não negar a epistemologia: Wittgenstein indicou que aquilo que não é público não pode ser objeto de comunicação. Isso não significa que exista algo de “transcendental” em uma dada linguagem.
    Há uma distinção modal (possivelmente/necessariamente) e epistemológica que não se deve esquecer: estar disponível para um sujeito não significa estar disponível para todos. Estar disponível para um conjunto de pessoas indica um “possivelmente”, mas não um “necessariamente”.
    Acredito que é exatamente isso que causa o conflito exposto no artigo: a existência de contextos diferentes, de assimetria de informação.

    “pelo fato de que são outras as regras linguageiras instauradas pela prática e não pela teoria.”
    Quando a teoria, na prática, é outra, é porque uma das duas está errada.
    Evite generalizar a crítica para a teorização, a possibilidade de teorização ou a intenção de teorizar: o defeito que acredito que você (e o livro) critica está associado a uma particular teoria: a gramática normativa atual. Como TODA teoria, ela somente se aplica se suas premissas estiverem satisfeitas. Isso é o mesmo que dizer que TODA teoria só se aplica em um determinado contexto.
    O cerne da crítica está na adoção de um valor moral associado à gramática normativa. Se a gramática normativa existisse sem uma classificação de “certo/errado” mas com uma classificação do tipo “pertence ou não à teoria”, não haveria motivos para criticar, exceto talvez uma intenção de censura.
    Sendo mais explícito, proponho que façamos análises (classificações de pertinência a conjuntos, teorias, etc.), não críticas (uso de valores morais certo/errado, de forma implícita ou explícita).

    “Alguém que fale, gramaticalmente tudo correto tem até mais chance de ser rechaçado!”
    E o que é “correto”? Gramáticas existem, mesmo que não sejam explicitadas conscientemente de forma unificada. Entretanto, reforçando o que eu já disse, elas não são ontológicas.

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    • Olá Danilo!
      Obrigado pela sua participação! Suas colocações são sempre muito enriquecedoras!
      Seguem as considerações!

      Você diz: “Ninguém “tem de ser capaz” de nada, e neste instante há, no mínimo, um valor imposto como “certo”. Inicialmente, protesto contra esse valor moral, pois acredito que ninguém tem a obrigação de ser capaz de nada”.

      Compartilho com sua ideia de que “ninguém DEVE ser capaz de nada” e nem ser obrigado à nada. No entanto, você confunde o que está sendo dito, a saber: a necessidade de saber se adaptar às situações “impostas” não por alguém senão pelos acordos tácitos, firmados na práxis. A partir deste equívoco, você apresenta suas avaliações morais do problema. Seu protesto não leva em consideração o escopo da questão, nem o que foi dito sobre a capacidade (“ser capaz de”), nem o contexto dos acontecimentos conexos, nem a nada do que foi exposto na nota.

      Entendo o que você quer dizer com “Tudo depende das intenções do sujeito falante e do valor dado por ele às consequências desse conhecimento/desconhecimento”. Por outro lado, não vejo como tudo pode depender somente do que EU pense, logo, exista; as consequências dos atos – de fala ou práticos – não dependem do indivíduo, mas sim de terceiros. Do contrário, esquizofrenia não seria “considerada” desvio e nem teria consequências bem concretas.

      Com relação à imposição de normas pela educação, você está certo: é do que é feita a educação. Mas o excerto do livro não questiona a norma culta e não coloca em oposição as formas distintas – coloquiais e culta. Se você questiona a obrigação de qualquer norma ou conjunto de normas então você tem uma outra questão, deveras importante, mas outra questão e que aqui não foi tratada. No mais, o livro coloca a distinção justamente para se levar em consideração que as “duas” modalidades – culta ou coloquial – não precisam se opor. Qualquer oposição que se fizer, isso sim é imposição. É basicamente disso que trata o livro. Com o detalhe de que é uma comunicação para adolescentes, com a devida adaptação de seus termos.

      Você diz: “A linguagem está construída em cada indivíduo, e não há nenhuma necessidade de que 2 indivíduos diferentes tenham absolutamente a mesma linguagem. Não são privadas, são apenas subjetivas. O significado de cada palavra é construído pelo indivíduo a partir do seu uso em um contexto social, e não há dois indivíduos com exatamente a mesma história, por esse motivo não vejo porque acreditar que existam duas linguagens idênticas”.

      Seu argumento é falacioso quando faz a relação com a necessidade de haver 2 indivíduos com linguagens identicas. Impõe esta necessidade e em momento algum isto foi aqui postulado. Ademais, justamente pelo fato de que os indivíduos NÃO tem histórias iguais, e porque são únicos, suas concepções linguageiras – palavras, gestos, sinais diversos – só podem ser conhecidas nas suas ações práticas, nas evidencias concretas de tais ações, e nas consequências, em relação ao contexto: o aprendizado neste caso é fruto de observação. Porém, ainda assim isto não garante que uma concepção ou compreensão persistirá para sempre. A vida do indivíduo é nova a cada dia. Portanto, baseamo-nos nos efeitos dos usos da linguagem para tirar nossas conclusões, mas não “na linguagem” – defendida por você – esta sim, inacessível “em si mesma”. O que me faz concluir que você se aporta em metafísica, para afirmar que “a linguagem está construída em cada indivíduo”. Sobre “A linguagem”, ao contrário de você, nada posso afirmar, somente acerca de seus efeitos.

      Você diz: “o mesmo sujeito possui tanto as regras como a liberdade de mudá-las, e nitidamente isso não é um paradoxo, apenas porque a tais regras são uma construção. O sujeito possui a liberdade de mudá-las”.

      Certamente ele pode resolver “não seguir a regra”. Ele é livre para isto. Mas ninguém pode gerir as consequências de seus atos. É como acreditar que “posso fazer qualquer coisa”. Certamente, somos livres: posso dar um “pedala Robinho” no Mike Tyson! Mas está fora da minha governabilidade o que acontecerá comigo! Uma pessoa pode resolver matar a outra, mas — dependendo do contexto — ou será preso, ou pagará na moeda de Talião.

      “Wittgenstein indicou que aquilo que não é público não pode ser objeto de comunicação. Isso não significa que exista algo de “transcendental” em uma dada linguagem. Há uma distinção modal (possivelmente/necessariamente) e epistemológica que não se deve esquecer: estar disponível para um sujeito não significa estar disponível para todos. Estar disponível para um conjunto de pessoas indica um “possivelmente”, mas não um “necessariamente”. Acredito que é exatamente isso que causa o conflito exposto no artigo: a existência de contextos diferentes, de assimetria de informação.

      Aqui você foi feliz! Inclusive quando você diz que “estar disponível para um sujeito não significa estar disponível para todos” é um dos pressupostos do conceito de jogo de linguagem.

      “Quando a teoria, na prática, é outra, é porque uma das duas está errada”. Você quer dizer que uma das duas está errada? Dê-me um exemplo onde a prática esteja “errada” e conversamos a respeito.

      E lembre-se: não estou “atacando” a gramática normativa. Em que passagem lhe pareceu isto? É exatamente o contrário que o texto – o meu – propõe e que residiria nisto: cada teoria na sua prática (neste caso, concordando com vc).
      “Sendo mais explícito, proponho que façamos análises (classificações de pertinência a conjuntos, teorias, etc.), não críticas (uso de valores morais certo/errado, de forma implícita ou explícita).”
      Eu concordo com você. No entanto, sou livre para manisfestar minhas impressões e julgamentos. Minha “crítica” ou “análise” aponta justamente para o fato de que pessoas consideram algo errado e que a escola estaria “ensinando o errado”. Simplesmente, como expus, considerei infundadas as “acusações”

      “Alguém que fale, gramaticalmente tudo correto tem até mais chance de ser rechaçado!”. E o que é “correto”? Gramáticas existem, mesmo que não sejam explicitadas conscientemente de forma unificada. Entretanto, reforçando o que eu já disse, elas não são ontológicas.

      O trecho da frase “GRAMATICALMENTE tudo correto” indica o critério do que está sendo chamado de “correto”. E é importante contextualizar a frase inteira em tudo que foi dito nesta página. Não creio que seja muito mais difícil compreender o que a frase quis dizer.

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      • “você confunde o que está sendo dito”
        Mais cuidado. A priori, ninguém confunde nada. Discordâncias não são confusão, embora tenham potencial em gerar.
        Não faça de sua opinião uma falácia ad hominem. Fale sobre o que eu disse e não sobre mim ou sobre sua especulação sobre minha mente.

        “a necessidade de saber se adaptar às situações “impostas” não por alguém senão pelos acordos tácitos, firmados na práxis”
        E por que se preparar para essa necessidade ANTES dela ocorrer? Esse é meu questionamento, e é EXATAMENTE esse o problema: sem práxis, p/ que ser obrigado a aprender?
        Acredito que cada pessoa deve escolher aquilo que, para ela, é importante. E, para ela saber isso, ela terá a práxis DELA. Quem é o “terceiro” que se acha “dono da verdade” para dizer o que outros devem saber? Cada sujeito com sua práxis.
        Claro que podemos sempre sugerir, com base em nossas experiências. Entretanto isso não torna ninguém “superior”, e ninguém deve ter a obrigação de seguir as sugestões.

        “Qualquer oposição que se fizer, isso sim é imposição”
        Isso soa razoavelmente conservador, não? E não seria uma imposição, também?
        Ao invés de questionar, impor ou criticar imposições, podemos nos contentar com apenas deixarmos nossa opinião, sendo claros de que não passa de uma opinião.

        “não vejo como tudo pode depender somente do que EU pense, logo, exista; as consequências dos atos – de fala ou práticos – não dependem do indivíduo, mas sim de terceiros”
        E como sabe que “terceiros” existem?
        O problema não são as consequências, e sim as causas: as causas são desconhecidas (e intangíveis). O que observamos são apenas consequências.
        Acredito que buscamos conhecer as consequências de nossos atos, e fazemos relações disso com o que observamos.
        Mesmo sendo pragmático e considerando a existência de tal influência de um habitat (definido socialmente por “terceiros” ou o que quer que seja), a aceitação de tal influência não significa uma submissão com relação a tal habitat. Podemos nos adaptar, mas também podemos adaptar o habitat.
        Mas como diria Mill, uma sociedade contra 1 não tem “mais jurisdição” do que o 1 contra a sociedade.
        Não é porque somos influenciados pelos outros que devemos ser escravos, submissos, conservadores, ou qualquer outra palavra que eu tenha esquecido.

        “Seu argumento é falacioso quando faz a relação com a necessidade de haver 2 indivíduos com linguagens identicas”
        Não é uma falácia (aliás, você repetiu o que eu disse, acha mesmo que eu disse algo falacioso?). Eu explico:
        O questionamento original dizia “como poderiam ser estabelecidas regras para a linguagem, se esta já está em conformidade com uma regra?”.
        As palavras “a”, “esta” e “uma” denotam unicidade, isto é, há uma única regra (ou um único conjunto de regras, tanto faz) definindo uma única linguagem.
        Podemos aplicar a frase em 2 contextos diferentes: observando-a ontologicamente ou epistemologicamente.
        Epistemologicamente há um sujeito, e acredito que já entramos em consenso sobre a liberdade: as “regras” são convenções que o sujeito adapta, formando uma nova linguagem “a cada dia”. A linguagem existe e o questionamento não se aplica por que as regras são convenções, e não restringem o sujeito (Sem ontologia, segundo Wittgenstein, não há “regras”).
        Ontologicamente é o caso em que teríamos 2 indivíduos com linguagens idênticas. Se não houver um “algo em comum” (e.g., leis da física, a linguagem idêntica ou parcialmente idêntica), não há ontologia. Falei “linguagem idêntica” apenas por conta da unicidade denotada no questionamento inicial. Se há uma única linguagem e mais de um sujeito, então eles compartilham essa única linguagem, e a unicidade do questionamento original impede que hajam variantes.
        Eu expliquei por que não considero o caso ontológico realista. Entretanto, mesmo em robôs com “regras” inseridas “a priori” e idênticas sob uma condição inicial, tais regras podem mudar (ver algoritmos genéticos), e podem divergir, por dependerem da história de cada agente (robô).
        Como eu disse, o questionamento original mistura ontologia (“regra”) com epistemologia (“linguagem”), e é aí que vejo o problema.

        “ainda assim isto não garante que uma concepção ou compreensão persistirá para sempre”
        E quem disse que precisa persistir?

        “baseamo-nos nos efeitos dos usos da linguagem para tirar nossas conclusões, mas não “na linguagem” – defendida por você – esta sim, inacessível “em si mesma”.”
        Defendida por mim? Sou 100% relacionista. Acredito que não há como afirmar a existência de nada além de relações.
        Falamos de “espaço” por que classificamos objetos com “posições” diferentes, subjetivamente. Falamos de “tempo” por fazermos a mesma coisa com eventos diferentes, no ponto de vista de um sujeito.
        “Coisa em si”, “semântica” e “significado” ou são relações ou são pura metafísica (i.e., inacessível).
        Eu não defendi “a linguagem” única como no questionamento supracitado. Eu defendo gramáticas, a existência de relações, assim como o fez Wittgenstein. Tanto os argumentos contra a linguagem privada como o argumento do beetle box, todos das Investigações de Wittgenstein, atacam a semântica (no sentido dado por Searle, ou o que você chamou de “em si mesma”).

        “Sobre “A linguagem”, ao contrário de você, nada posso afirmar, somente acerca de seus efeitos.”
        O que são efeitos? Se não forem relações, como saber que existem?
        Se o que chamo de relações for o que você chama de efeitos, então estamos de acordo.

        “Mas ninguém pode gerir as consequências de seus atos.”
        Ok, mas pode gerir os atos, se a hipótese do livre arbítrio for verdadeira.
        Isso também não significa que não podemos tentar predizer tais consequências. A problemática é ontológica, novamente: não há como nos assegurar de um modelo preditivo do que observamos. Isso não significa que não devemos tentar.

        “Você quer dizer que uma das duas está errada? Dê-me um exemplo onde a prática esteja “errada” e conversamos a respeito.”
        Exemplo “coletivista”:
        Imagina que você quer jogar ping-pong. Seu adversário não sabe o que é ping-pong, e aparece com luvas de boxe. O jogo está declarado, mas a prática realizada pelo novato, está errada.
        Sendo mais claro: as premissas não foram utilizadas ou, em outras palavras, o significado de “ping-pong” era desconhecido, foi ignorado ou foi perdido, na prática, por [pelo menos] um dos envolvidos.
        No contexto social, há o reconhecimento de um erro.
        Exemplo “individualista”:
        Uma pessoa quer fazer X (teoria) mas faz Y (prática), arrependendo-se do resultado indesejado (e.g. tentou pular a cadeira, mas acabou caindo).
        “Certo/errado” é subjetivo, indicando valores morais. Quando a teoria, na prática, é outra, é porque uma delas está errada, PARA O SUJEITO (ou conjunto de sujeitos) que acredita que “a teoria, na prática, é outra”.

        “não estou “atacando” a gramática normativa. Em que passagem lhe pareceu isto?”
        Não lembro, mas não faz diferença. Se você diz isso, eu acredito. =)

        “GRAMATICALMENTE tudo correto”
        Para qual gramática? Como eu mesmo disse, ela não é única. =)

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      • Olá Danilo,

        Não considere um ad hominem pois não estou colocando em questão a sua pessoa e sua credibilidade. Afinal, afirmo — e reafirmo — que suas intervenções sempre contribuem em muito. Quis dizer — e, concordo, deveria ter dito — o seguinte: sua interpretação con-fundiu (fundiu junto) temas distintos. Em suma, minha análise (ou crítica) direcionou-se não para a imposição de regras, mas para o fato de que para que uma pessoa tenha “salvo conduto” dentro de um contexto, ela “deve” conhecer as regras. Ou seja, “DEVE… PARA…”, e não simplesmente “DEVE SER” que é teleológico. Pelo meu descuido, peço desculpas. Não quis ofender.

        Falando em regras, estas só fazem sentido — no contexto deste blog e deste artigo — se forem compreendidas como parte do conceito dos jogos de linguagem de Wittgenstein, como de fato foi apresentado. Tais regras não são ontológicas, mas somente os seus efeitos podem ser constatados. Como assim “efeitos [dos usos] da linguagem?”. Se digo a alguém “caneta” ou “traga-me uma caneta”, as ações daquele que escuta que decorrerem do pedido serão indicativas em alguma medida do que alguém compreende com “caneta” (ou “traga-me uma caneta”). E a significação de tal “sinal” dependerá fundamentalmente de todo o contexto (quando, onde, como, porque, de quem, com quem e para quem). Aqui poderíamos falar, além dos jogos de linguagem, em atos de fala, implicaturas conversacionais e background.

        O meu artigo — e em alguma medida o livro — versa sobre a FALSA IDEIA de que os “modus falandi” e suas normas e regras (lembrando, nos termos wittgensteinianos) se contrapõe, como foi amplamente veiculado pela mídia sensacionalista que sequer teve a “pachorra” de ler o livro analiticamente e não em tom de moralismo (veja, portanto, que concordamos nesta questão “análise” versus “crítica moral”). Se fiz uma crítica, foi exatamente contra uma terceirização do pensamento: a grande maioria dos brasileiros que assistiram ao “Fantástico” e ao “Jornal Nacional” simplesmente endossaram o que foi dito. Ao contrário, apresentei argumentos, evidencias, fatos e, principalmente, a fonte, para que os leitores pudessem confrontar minhas interpretações com suas próprias considerações.

        No mais, agradeço novamente a sua participação!

        Abs
        Estevão

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  7. Entendo a divagação a cerca da diferença entre a linguagem falada e a escrita e qualquer estudante entende, com as aulas de literatura acerca de regionalismos. Não entendo a celeuma em torno da questão, se pelo que eu entendi não será ensinado nas escolas os “modus falandis” diversos com sendo oficial e protocolar. Pois a variante da norma culta que sempre existiu em relação à norma coloquial e a válida para averiguação de conhecimento sempre foi a norma culta. E nas Provas dos Colégios como Colégio Militar, Colégios de Aplicações, IME, ITA e outros institutos e instuições de ensino, Concursos públicos que tem um rendimento que possibilita estabilidade de vida e crescimento pessoal e social, sempre o serão. Se o ensino da língua mudar para as classes menos favorecidas para não “discriminá-las ” e não as classificarem inferiores, a verdadeira discriminação será a retaliação ao acesso dessas classes a ascenção social. Isso sim é grave e tem que ser pensado.

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    • Olá Sonia,

      de fato, foi feito muito barulho por nada. O livro, segundo a análise de parte da mídia não estava “errado” como foi divulgado amplamente. “Equivocada” estava a análise parcial a qual foi submetido. O livro — pelo que pude depreender — não ensina a “falar errado” mas ensina que existe a multiplicidade linguística e propõe até mesmo exercícios que transladam entre um campo e outro — obrigatoriamente do coloquial ao culto (cf. os exercícios do livro). Concordo com vc que, se fosse feito o contrário, não haveria inclusão, mas definitiva exclusão da população, uma vez que os instrumentos de avaliação — principalmente relacionados com a assenção social — estão todos referenciados pelas “normas cultas”.

      abs
      Estevão

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  8. Olá a todos,

    Estou acompanhando este assunto, os comentários e gostaria de complementar.

    Esta questão já está sendo tratada na área educacional de formação de educadores já a alguns anos.

    No Brasil se falam várias línguas.

    A linguagem nativa do País não é o Português.

    Com certeza a linguagem culta é a dominante, em conseqüência a oficial.

    Porém não falamos como escrevemos.

    É importante sim que nossas crianças aprendam na escola a linguagem culta além da coloquial, até por uma questão de mobilidade social, porém mais importante ainda é que os indivíduos compreendam e respeitem os vários sotaques e dialetos do nosso território nacional, pois vivemos numa diversidade continental onde encontramos Quilombos e Aldeias muito próximos a grandes cidades.

    Claro que somos inteligentes o suficiente para entender que a coisa toda foi tirada do contexto do qual a autora se propôs.

    Existem vários Brasis dentro de nosso Brasil.

    abraços

    Luciano

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  9. Voltando ao “famigerado” livro, a autora quer dizer, em suma, que mesmo alguém que fale “os livro” deve saber, por exemplo, que uma prova de vestibular se estabelece a partir dos critérios da “norma culta”.

    Onde tem isso no capítulo, por favor? Não é o que a autora quer dizer. O que tenho visto foi pessoas de nível superior fazendo ilações a respeito de algo que NÃO ESTÁ explicitado pela autora, que mais parece estar fazendo um estudo sociológico da luta de poderes na formação da língua. Há claramente no livro a intenção da autora de dizer que há uma relação de poder imposto pela “classe dominante”, e dito isto, o que impede que se flexibilize o vestibular alegando um combate ao “preconceito linguistico”? Não há uma reflexão acerca do falar corretamente, das normas que são usadas pra que não haja dúvidas (vocês podem não ter dúvidas a respeito do “os livro”, porque são “da área” e devem ter aprendido alguma coisa q eu não aprendi, mas eu teria. Afinal, quantos livros são??! Como vcs sabem se ele errou no “os” ou no “livros”?).

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    • Prezado Sr(a). Anônim@,

      Vc pergunta: “Onde tem isso no capítulo, por favor? ”

      Lê-se à pg. 12 o seguinte:
      “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário.”

      É suficiente pra vc?

      Vc diz ainda que “Não há uma reflexão acerca do falar corretamente, das normas que são usadas pra que não haja dúvidas”

      O texto prossegue com o seguinte trecho:
      “A norma culta existe tanto na linguagem escrita como na linguagem oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta. Algo semelhante ocorre quando falamos: conversar com uma autoridade exige uma fala formal, enquanto é natural conversarmos com as pessoas de nossa família de maneira espontânea, informal”.

      Outra coisa:
      Pense em alguém que diga “os livro está…”
      Pense agora em um estrangeiro que diga “a livro está…”
      Será que são julgados em pé de igualdade? Fica a pergunta no ar.

      Vc diz ainda: HÁ CLARAMENTE (grifo meu) no livro a intenção da autora de dizer que há uma relação de poder imposto pela “classe dominante”, e dito isto, o que impede que se flexibilize o vestibular alegando um combate ao “preconceito linguistico”?

      Prove que isto está dito.

      Atenciosamente,
      Estevão Moreira

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  10. Estevão, parabéns pelo post, texto e reflexão. Nesses momentos percebemos como a sociedade é dividida, autoritária e violenta. A linguagem tem um instrumento de discriminação, e por conseguinte de dominação nesse nosso Brasil escravagista. Não porque a reflexão me leve a concluir isso, mas porque eu vejo isso acontecer à minha volta, percebo o sofrimento que causa. É bonito o processo que emergiu, porque as caras apareceram claramente na imprensa e no cenário político criado pelo debate. Foi genial. Tá aí pra quem quiser ver. Abraço especial a você daqui de Bruxelas. Hé hiço! Çaldades!

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    • Caríssimo Felipe!

      Havia respondido mas a resposta não foi e só hoje percebi.
      E parece que a coisa é bem política mesmo, como temos visto nos jornais e no congresso. Mesmo após desnudada a falha dos “algozes” do livro, são buscadas outras justificativas em busca de totalização.

      Çaldades tb caro amigo!

      abs

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  11. Querido Estevão!
    Obrigado pelo artigo tão esclarecedor. Só estava sabendo dessa “nova do momento” pelos noticiários… mas não sabia de todo esse contexto que você abordou.
    Parabéns pelo belo texto e por dedicar seu precioso tempo à reflexão dos demais.
    Abração. Paz e bem.
    Pet!

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  12. Este é o objeto de estudo da Sociolinguística, pouco conhecida fora da Academia. Ela estuda as variantes da nossa língua, que não é a mesma desde Cabral. A língua portuguesa não é algo acabado e está em constate transformação. Somos extremamente criativos e vamos adaptando a língua às nossas necessidades. O mundo vai mudando e a língua também. Por conta disso, a autora destaca a necessidade de se posicionar contra o preconceito linguístico, tão propagado por M. Bagno. Cada falante tem um regra internalizada que faz parte do senso comum da comunidade da qual ele pertence. Aceitar que existam diferenças de falares, ou seja, estas variantes, é uma questão de cidadania e respeito pelo indivíduo, de democracia. Deve-se conhecer estes falares e aceitá-los como diferentes e não como errados. Esse assunto deve ser abordado em sala de aula sim e o professor deve conscientizar os alunos sobre a norma culta e as variantes, e que cada uma tem o seu lugar de uso.

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  13. Legal, Estevão. O inglês também perdeu a inflexão de pessoa nos verbos (a não ser para a terceira do singular) e o francês falado também aboliu o “s” do plural… de modo que eles usam o equivalente de “nós vai” e “os livro”… Abraços

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  14. Estevão, vc “só” corroborou aquilo que os principais linguistas (e a linguística!) vem pesquisando ao longo dos últimos 30 a 40 anos. Além disso, é preciso criticar a má-fé e a baixa qualidade da leitura dos nossos jornalistas, formados por essa concepção de ensino de que tanto são nostálgicos. Parabéns, amigo!

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