Resumo

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Livro Estevão Capa

Sobre o autor: Estevão Moreira, professor, compositor e regente. Licenciado em Música pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Educação Musical pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Foi representante estadual da Associação Brasileira de Educação Musical – ABEM – no ano de 2012. Atualmente, é professor de música e gestor cultural no Colégio Santo Inácio (ver entrevista).

Investigações Filosóficas sobre Linguagem, Música e Educação. O que é isso que chamam de música? Estevão Moreira, 2014.

A estrutura deste livro segue o seguinte esquema, grosso modo: (i) fundamentação teórica, (ii) abordagem da educação musical na perspectiva da linguagem e (iii) reflexões sobre a prática pedagógica.

O primeiro capítulo tem como objetivo a apresentação dos conceitos fundamentais da pragmática de Wittgenstein expressa, sobretudo, na obra Investigações Filosóficas (1953). Primeiramente enfoca-se a questão da música como problema ontológico ou de linguagem. É apresentado assim um breve panorama dos estágios da história da filosofia como contextualizador da questão. A partir dos primeiros apontamentos, faz-se uma apresentação do pensamento de Ludwig Wittgenstein, diferenciando-se as fases do pensamento do filósofo, comumente chamada de 1º e 2º Wittgenstein, situando-as dentro de suas vertentes filosóficas. Lançam-se assim as bases da perspectiva da pragmática wittgensteiniana para se adentrar efetivamente na obra de referência deste livro: as Investigações Filosóficas. São apresentados os conceitos da pragmática de Wittgenstein como: jogos de linguagem, formas de vida, o argumento da impossibilidade de uma linguagem privada, a terapêutica wittgensteiniana e a introdução à crítica de uma concepção referencial de linguagem. São apresentadas também as discussões sobre os limites da linguagem entre o primeiro Wittgenstein e o segundo Wittgenstein, bem como o problema da aspiração de universalidade da lógica refletido no positivismo-lógico.

O segundo capítulo será dedicado à crítica à concepção de linguagem referencial que Wittgesntein chamou de “modelo agostiniano de linguagem” e suas implicações para a educação – e, sobretudo para a educação musical. A concepção agostiniana, já apresentada no Capítulo 1, será aprofundada a partir da análise in loco da obra DE MAGISTRO, de Agostinho. A partir desta, serão apresentadas também algumas considerações sobre outras duas concepções de educação fundamentadas em concepções referencialistas de linguagem, a saber: o empirismo e pragmatismo – considerando a importância de tais linhas para a filosofia da educação e práticas pedagógicas. Será enfocada a questão da “experiência” na perspectiva da linguagem, a partir das ideias do artigo de Cristiane Gottschalk professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – FE-USP, intitulado “As relações entre linguagem e experiência na perspectiva de Wittgenstein e as suas implicações para a educação” (2010). Neste artigo, Gottschalk apresenta a ideia de “experiência” nas concepções agostininana, empirista e pragmatista, ambas aportadas sobre modelos referencialistas de linguagem na educação; em contraposição, Gottschalk aborda a ideia de “experiência” na perspectiva da pragmática wittgensteiniana. A questão “pragmática ou pragmatismo”, relevante para se compreender em quê reside a diferença de tais termos, comumente evocados igualmente (equi-vocados) será também brevemente apresentada a fim de dissolver possíveis confusões – i.e. fusões das diferentes ideias evocadas pelos termos “pragmática” e “pragmatistmo”. Para tanto, serão apresentados alguns esclarecimentos de Gottschalk – na obra já citada – e de Danilo Marcondes, professor de Filosofia da Linguagem da Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ, no artigo “Desfazendo mitos sobre a pragmática” (2000). Esta distinção é fundamental para se ter mais clareza dos pontos de aproximação e – principalmente – das distinções entre uma perspectiva pragmática – mais especificamente, no presente trabalho, a de Wittgenstein – e a perspectiva pragmatista – personificada principalmente na figura de Jonh Dewey, como um dos importantes referenciais na filosofia da educação.

O terceiro capítulo se inicia desenvolvendo a concepção de “música” como jogo de linguagem levando em consideranção, com base nas reflexões do capítulo 2, a não existência de um objeto referencial chamado “música”. Assim sendo, serão abordadas as práticas nas quais se possa obter alguma inferência das concepções de música em jogo: i.e., as situações nas quais a palavra “música” é empregada, enredando-se uma reflexão sobre “isso que chamamos de música”. Tais considerações evidenciam a existência de elementos contextuais que (re)significam os conceitos, palavras e, em última análise, toda sorte de sinais sem os quais os sentidos produzidos poderiam ser outros. Dentro deste universo é apresentada também uma reflexão sobre pressupostos tácitos aos participantes dos jogos de linguagem. Dentro deste campo estariam as questões éticas e estéticas – na perspectiva de Wittgenstein. Para tratar da questão sobre ética na educação são apresentadas, neste trabalho, algumas ideias de Wittgenstein expressas em sua “Conferência sobre a ética” e de breves considerações de François Jullien. Tais questões no campo da educação são apresentadas a partir de algumas ideias de Denise Lourenço, defendidas na dissertação de Mestrado em Educação da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP (Campus Marília), intitulada “Educação e linguagem: algumas considerações sob a perspectiva filosófica de Wittgenstein” (2008). Partindo do princípio de que existem diferentes formas de vida das quais os seus participantes, jogadores de determinado jogo de linguagem, compartilham premissas, valores, pressupostos e elementos contextuais é que podemos pensar que a palavra “música” só tem sentido pleno na ação. Isto quer dizer que cada personagem que dela se utilize, poderá dizer coisas diferentes que não estão contempladas em definições prévias e que, em princípio, podem ser percebidos como contrassensos, mas que são expressões silenciosas, no entanto, de eloquentes valores éticos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2 comentários

  1. Sempre interessado no “segundo” Wittgenstein e no potencial desses conceitos para um entendimento mais justo das práticas de música, saúdo a realização de José Estevão, que pretendo ler e discutir em breve, com estudantes da UFRJ.
    Atenciosamente,
    José Alberto Salgado

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    1. Prezado Prof. José Alberto Salgado,

      Muito obrigado pelo interesse e apoio. Ademais, o sr. encontrará, no livro, citações de seu trabalho com alunos da UFRJ, mais especificamente, sobre o surgimento de novos “usos” da educação musical: perspectiva tipicamente wittgensteiniana.

      Com os melhores cumprimentos,
      Estevão Moreira

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