DIZEI O QUE VEICULAS E TE DIREI O QUE [NÃO] QUEREIS FOMENTAR


Certo dia estava com meus filhos na rua e eles queriam comprar figurinhas na banca. Lá fomos. Chegando na banca a primeira coisa que percebi foi uma revista de mulheres nuas a cerca de um metro do chão, isto é, NA ALTURA DOS OLHOS DAS CRIANÇAS QUE ALI PASSAVAM PARA IR PARA A ESCOLA. (E não era preciso se demorar pra ver a revista, pois ela estava posicionada em um dos pontos estratégicos da banca, aquele em que vc passa e vê o que estiver exposto, sem saber que já está vendo. O sniper pronto para abater seu público alvo. Coisas que só a propaganda faz). Além disso a banca fica em um ponto de ônibus. Considere-se, que por ali passem milhares de crianças – meninos e meninas – todos os dias, pergunto: quais os valores que estão sendo apregoados ali para aqueles que não tem como se defender do bombardeio de sinais, imagens, sons, luzes, slogas, msgs subliminares e tantas outras coisas à disposição que sequer percebemos?

Não dá pra falar em liberdade de expressão sem levar em consideração aqueles que recebem este bombardeio, as crianças, não são livres! Estado sendo conduzidos no caminho. São, por assim dizer, puros por não terem “armas” para compreenderem certas sutilezas, pois que são terreno fértil para qualquer coisa boa ou ruim. Assim como a propaganda em canal infantil é cruel por atacar o que a criança tem mais de puro, que são os seus desejos, pois que a propaganda inventa/implanta um desejo na criança (e se já é difícil para nós adultos nos desvencilharmos dessas “forças” da publicidade imagine então para os pequenos) o que dizer deste tipo de fomento de cultura da objetificação da mulher PARA MENINOS E MENINAS! Quais são as implicações disso? Convoco-te a pensar nos reflexos disso daqui a 20 anos.

O mesmo se vale para as cenas de sexo quasi-explicito que se vê no “horário nobre” que depois vão para os similares ao que era o “vale a pena ver de novo” às 14h (nem sei se ainda existe, mas assim já foi).

No dia, pedi ao sr da banca, com muito carinho (pois que ele não percebia o dano) para que não colocasse revistas masculinas naquela altura. A partir daquele dia ele colocou sempre para cima. Mas ontem eu vi, na altura baixa novamente, uma revista destas, na mesma banca, embora com os seios tapados por uma daquelas etiquetas de marcar preço (das quais uma estava caindo, promovendo um semi-top-less).

E não se enganem: não estou a atacar simplesmente as mídias. Mas a nossa aceitação para a instauração deste estado de coisas. Não se trata de moralismo tão somente (ainda que eu possa estar imbuído também deste aspecto). Trata-se de uma questão prática: dizei o que veicularas e te direi o que quereis fomentar.

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